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24 de Agosto de 2019
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    Você já ouviu falar na figura do Advogado Agressor frente ao patrocínio de demandas similares?

    Os bancos e financeiras estão bem atentas a isto: um mesmo Advogado estar atuando, concomitantemente, em uma exagerada quantidade de demandas, exatamente contra uma mesma instituição financeira, ou banco, usando,na maioria das vezes, as mesmas estratégias com clientes que nunca se conheceram, mas que têm demandas em comum.

    Fátima Burégio , Advogado
    Publicado por Fátima Burégio
    há 7 meses

    Primeiramente, cumpre esclarecer, que, ao liberar este texto, a autora que assina a matéria, não tem um mínimo de interesse em afrontar ou denegrir a imagem dos seus colegas de profissão, mas apenas relatar um fato recorrente que tem acontecido no cotidiano laboral. Fato este que precisa, isto sim, ser melhor propagado aos quatro cantos do país, no afã de evitar práticas reiteradas e atitudes desleais em face dos colegas que trabalham corretamente e não comungam com tais astúcias de um ou outro profissional que chega a envergonhar e prejudicar toda uma classe.

    Vamos à matéria:

    Advogado atua em cerca de 120 processos, tais lides são idênticas ou similares, contra uma mesma instituição bancária.
    Advogada milita em mais de 150 processos, lides similares, em face da mesma financeira.

    Infelizmente, não tem sido muito incomuns acontecerem fatos como os narrados acima.

    Ora, é sabido de todos nós, que, conforme preceitua o artigo 133 da Constituição Federal de 1988, o Advogado é essencial à promoção da Justiça, devendo, por conseguinte, prezar pela solução do problema de seu cliente.

    O problema

    No entanto, o que não é comum, e as empresas financeiras e bancárias estão bem atentas a isto, é o fato de um mesmo Advogado estar atuando, concomitantemente, em uma exagerada quantidade de demandas, exatamente contra uma mesma instituição financeira, ou banco, usando, na maioria das vezes, as mesmas estratégias com clientes que nunca se conheceram, mas que têm demandas em comum.

    A tática utilizada

    A tática é mais ou menos a seguinte:

    Alguém sabe que o banco ou financeira cometeu um determinado ato que afronta os direitos do consumidor, como, por exemplo: remeteu um cartão de crédito sem que o cliente solicitasse, ou, noutro exemplo, efetuou um empréstimo consignado sem que o cliente/correntista houvesse assinado o contrato de empréstimo.

    Uma segunda pessoa, fazendo uso da informação privilegiada, orienta o consumidor prejudicado a buscar os préstimos do ‘doutor fulano de tal’. O resultado disto é que o doutor fulano passa a advogar, simultaneamente, em cerca de várias causas similares para clientes diversos e que nunca se conheceram, usando a velha prática do ‘copia e cola’, alterando apenas os dados básicos. Feito isto, o processo caminha, o cliente é chamado para um acordo, é plenamente indenizado, o Advogado fatura os seus honorários, e tudo caminha às mil maravilhas...

    Opa; calma lá: - Nem tudo são flores e nem tudo caminha às mil maravilhas, meu amigo!

    É que as grandes bancas que advogam para bancos e financeiras, percebendo as demandas repetitivas patrocinadas pelo mesmo patrono, já estão bem atentas aos fatos, analisam tudo, investigam quantas demandas um determinado Causídico atua em face de uma instituição assessorada, descobrindo, por fim, demandas similares, ocorridas na mesma agência bancária, mesmos fatos, etc e tal.

    Ao descobrir tal artifício, as bancas tratam de fazerem uma denúncia à Ordem dos Advogados do Brasil relatando o ocorrido, acostando provas cabais, criativamente intitulando o infrator de Advogado Agressor.

    Advogado Agressor... É justo este título?

    Seria justo usar o título de Advogado Agressor aos que agem desta forma?

    Seria mesmo uma espécie de agressão o ato do ‘esperto’ Advogado?

    Na minha humilde concepção, sim! Uma baita de uma agressão ao Estado Democrático de Direito; uma agressão sem precedentes ao faturamento e captação de clientes por parte dos demais colegas de profissão; uma prática infame contra os bancos e financeiras que são as maiores vítimas, e, por fim, uma enorme ‘facada’ no Poder Judiciário que terá que julgar lides temerárias, arbitrar honorários advocatícios a um profissional que não agiu dentro da lealdade, dentre outros fatores.

    E como se descobriu isto?

    Ora, as grandes bancas têm em seu corpo de profissionais, Advogados tarimbados e habilitados a seguirem as regras do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e da Lei de Arbitragem, visando dar maior celeridade na marcha processual e prezarem pelo acordo e autocomposição.

    Coincidência Abissal - Luz vermelha acesa

    Desta feita, ao chamar a parte demandante para uma autocomposição, um acordo, onde, diga-se de passagem, prática bastante usual nas grandes bancas nos dias hodiernos; acontece a descoberta da xarada.

    Sim, é que no decorrer dos contatos com o Advogado do autor, visando o fechamento de acordos extrajudiciais, algumas vezes, os profissionais findam por perceberem que alguns advogados patrocinam causas de uma infinidade de clientes que nunca se conheceram, mas que estavam com problemas em comum e em face do mesmo banco/financeira. A luz vermelha acende, e ao se investigar com mais aprofundamento, constata-se a ‘coincidência’ abissal, descomunal.

    Em síntese:

    Tais práticas não devem ser comuns; se alguém está agindo desta forma, está cometendo um ato ilícito; e o mais importante: as grandes bancas no país estão bem atentas ao ato infracional, denunciando o infrator à OAB para a tomada de justas e oportunas providências.

    Andar correto é muito bom e deve ser uma prática constante. Gozar da confiança dispensada por seu cliente; é fundamental; zelar pelo seu nome e sua marca; é de suma importância. Ser honesto; não tem preço!

    Faturar é preciso; todavia, de maneira justa e nobre; jamais fundamentado em ardis fraudulentos e desleais.

    40 Comentários

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    Cara colega, não entendi seu propósito quanto ao tema. Se um ilícito foi cometido contra várias pessoas (usando o seu exemplo: uma determinada instituição financeira o comete contra vários de seus clientes) qual o problema de todos os prejudicados serem representados pelo mesmo advogado? Imaginemos agora o trágico acidente de Brumadinho. Várias são as vítimas, seus parentes (filhos, mulheres, pais, irmãos), todos com provável direito a reclamar dano material e moral pela perda sofrida. Pelo ver da colega teriam que, necessariamente, ter advogados diversos? Se um mesmo advogado ou escritório representasse 10 ou mais autores estaria cometendo ilícito? seria taxado de advogado agressor? francamente o conceito é o pior possível. Me sinto muito à vontade de criticar seu artigo, pois faço advocacia empresarial e defendo inúmeras ações de indenização promovidas corretamente por colegas em acidentes envolvendo um ou mais Autores e não os considero absolutamente "agressores" da sociedade, mas simplesmente "advogados" no pleno exercício da profissão. Epítetos como "advogado porta de xadrês", "advogado agressor" ou similares, a meu ver, representam sim um desrespeito à classe e aqueles que os utilizam é que deveriam ser advertidos pelas respectivas Seccionais da OAB. Cordialmente, continuar lendo

    Acompanho o entendimento do doutor Henrique. continuar lendo

    Nobres colegas, sinceramente não entendi qual é a real intenção da colega autora do texto, desabafar, criticar os bons advogados, defender as oligarquias bancarias do país e/ou pode se encontrar inconformada por ter perdido algum bom contrato com algum grande banco.

    A crítica do texto na verdade é contra os bons advogados, pois ter uma quantidade expressiva de demandas contra bancos e demais outras instituições financeiras não se traduz em agressão e sim em competência profissional especializada. Portanto, sem nenhum sentido se mostra o texto, a não ser, um desabafo pessoal de inconformismo da autora do texto com o sucesso de alguns colegas de profissão.

    Por fim, a titulo de esclarecimento, segundo o dicionário Aurélio agressor é: "Que ou aquele que ataca, que agride". Sinônimo de: assaltante, atacador, atacante, invasor. É ao final a autora do texto alega que não deseja ofender seus colegas de profissão. Se não fosse trágico, seria hilário. continuar lendo

    Olha, Data Máxima Vênia, o correto é o advogado ter pouquissimos clientes, o suficente para pagar a secetaria, talvez um estagiário e as outras despesas do escritório (poucas, tudo muito regrado); advogado com mil, duas mil, três mil ações nem pensar, é crime de "agressão". As grandes bancas, que defendem os "banqueiros e seus milhões" essas devem ganhar muito, pagar centenas (ou milhares) de estagiários e outros advogados (funcionários), podem defender os bancos que por suas vezes podem (e fazem) enviar cartão pra quem não pediu, cobrar quem nada deve, abusar dos juros, negativar nomes, espoliar ao máximo o povo já sofrido e ai....tudo bem! Oh meu bom Rui Barbosa, ainda que fostes deste mundo para um melhor, não irias aguentar uma nova categoria de nobres causidicos que se prestam a defender os bancos e as multinacionais e que conseguiram dividir (ainda mais) a classe dos advogados: advogados dos bancos de um lado e do outro lado nós, advogados do povo! De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos ..BANCOS....etc etc etc continuar lendo

    Parabéns, um Advogado com consciência dos absurdos cometidos pelos Bancos e Financeiras e que tem caráter e coragem. Parabéns novemente continuar lendo

    Essa artigo deve ser uma pegadinha. Só pode. Réus que cometem crimes e outros atos ilícitos contra consumidores e clientes estão sujeitos a isso. Não são os argumentos do advogado repetitivos e similares e sim os atos ilícitos continuados cometidos pelos réus. continuar lendo

    Nobre colega, não entendi o cerne da matéria.
    Que espécie de ilícito o advogado cometeu?
    Não vejo nada demais em práticas como esta.
    Tirando a captação de clientes que não pode se dar desta maneira, não vejo qualquer problema um único advogado atuar em varias demandas similares.
    Suponhamos que um policial militar procurou a mim pra uma dada demanda.
    Minha atuação o agradou, o que gerou indicação para mais colegas, que indicaram para mais colegas e em dado momento cheguei a ter dezenas de ações similares contra uma mesma instituição financeira.
    O que tem de errado nisso? continuar lendo

    Não tem nada de errado. É assim que se torna um Grande Advogado. Acontece que a maioria dos formandos quer ficar rico logo (realidade familiar) e como o Judiciário enrola muito, e muitas vezes não lê (coisa que o Advogado da parte faz), só "vê" a ultima página, acabam perdendo tempo do Advogado e do Cliente. O Judiciário que está criando esse comportamento. Um Advogado x Um Escritório de Advocacia: Quem ganha? continuar lendo